DOSSIER 08

O recife Coralino

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An aerial view of a coral reef in shallow turquoise water

É na costa leste da Austrália, ao longo de todo o Queensland, que se encontra a maior barreira de coral do mundo.

Para tentar avaliar a dimensão da Grande Barreira de Coral. É o único organismo vivo visível a partir do espaço, acolhendo mais de 400 espécies de corais, 1500 espécies de peixes tropicais, 200 espécies de aves, e várias espécies de golfinhos, tartarugas, raias, baleias e serpentes marinhas.

Um sumptuoso leque de biodiversidade que é uma felicidade visual. Mas, com a subida contínua das temperaturas, os corais passaram de uma qualidade má a muito má.

A Great Barrier Reef Marine Park Authority publica de 5 em 5 anos um relatório sobre o estado da Barreira de Coral australiana. E este ano, ainda mais do que nos anteriores, o estado do famoso ecossistema não parou de piorar, nomeadamente por causa das alterações climáticas.

O doutor David Wachemfeld, cientista-chefe do parque, enuncia as 4 causas principais desta degradação: as alterações climáticas, os escoamentos vindos de terra, o desenvolvimento da costa, certas formas de pesca, nomeadamente ilegais, bem como a poluição.

Os corais sofreram graves fenómenos de branqueamento devidos ao aumento das temperaturas oceânicas. As alterações climáticas são a primeira causa deste branqueamento, pois vêm nomeadamente alterar a abundância dos corais bem como as espécies que compõem o ambiente coralino. Na sequência destes dois branqueamentos consecutivos, os cientistas declararam a morte de mais de 100 corais, tal como de 30% dos corais de águas profundas.

O impacto terrestre deve-se principalmente aos escoamentos agrícolas, que favoreceram a implantação da ancanthaster púrpura, uma estrela-do-mar que devora os corais e cuja presença aumenta correlativamente com a poluição. Evidentemente, o branqueamento do coral não é a única consequência da desregulação climática.

O branqueamento do coral vem dificultar a restauração simbiótica. A restauração simbiótica é a relação entre o coral e uma alga que ele contém, alga que deveria renovar-se.

Ora, a alga já não se renova por causa do aumento das temperaturas. Uma não renovação que leva inegavelmente à morte do coral, o que é um desastre para todo o nosso ecossistema.

BIOMIMETISMO

Os engenheiros inspiraram-se na formação dos organismos marinhos como os recifes de coral para criar cimento neutro em carbono.

Descobriram que os pólipos de coral, criaturas vivas pertencentes à classe dos Cnidários, absorvem os minerais e o CO2, e depois segregam carbonato de cálcio para formar a sua estrutura exterior dura. Com base neste processo, desenvolveu novos métodos de produção de cimento neutro em carbono. O cientista conseguiu captar o CO2, dissolvê-lo na água do mar e criar assim carbonato. Os componentes deste material duro revelaram-se extremamente apropriados para fabricar materiais duradouros para a construção.

A prazo, este material poderia substituir o cimento, o que reduziria evidentemente de forma considerável o impacto da indústria da construção sobre o ambiente, sendo o cimento tradicional um dos materiais mais poluentes.

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