DOSSIER 08

Medusas Luminosas

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Orange and violet sea nettles drifting in blue water

Consideram-se muitas vezes estes montes gelatinosos encalhados na areia das praias como animais perigosos, de picadas venenosas e ardentes. Mas as medusas são também belas e espantosas criaturas marinhas, de uma incrível diversidade de formas e de cores.

As medusas mais pequenas medem apenas alguns milímetros. As maiores atingem dois metros de diâmetro e pesam até 200 kg.

Durante séculos, as medusas foram largamente desconhecidas dos zoólogos que, devido à simplicidade da sua estrutura, próxima de certas plantas, usam de bom grado para as descrever um vocabulário emprestado do mundo vegetal e as incluem no filo dos zoófitos (literalmente planta-animal). Assim, na sua primeira edição (1735) do Systema Naturae, Lineu, como bom botânico, coloca as medusas na ordem dos Zoophyta, designando os tentáculos como os estames das medusas (Stamina Medusarum), os seus braços orais como os pistilos (Pistilla)

Com o seu corpo gracioso e leve, as medusas escondem bem o seu jogo, pois são na verdade terríveis predadores presentes em grande parte dos mares do Globo. Sem cérebro, sem coração, sem esqueleto, nem dentes, as medusas desenvolveram armas originais para caçar as suas presas e um modo de reprodução único.

O estudo da sua biologia, da anatomia ao funcionamento das células, mostra que estes animais são considerados «primitivos». Os seus olhos, concentração dos órgãos, dos sentidos e dos neurónios sensitivos que evocam um esboço de cefalização e os seus músculos(células musculares). Os investigadores reconhecem-lhes também caracteres evoluídos como a segmentação do corpo, a produção de hormonas para a nidação e até colagénio de tipo humano.

Proliferando hoje nos nossos oceanos por causa da atividade humana, as medusas atravessaram as eras. Conhecidas e descritas desde a Antiguidade, Aristóteles interessa-se por elas e, entre a centena de animais marinhos que descreve, chama-lhes «cnide», o que significa que pica, precisando que se deslocam dentro e sobre a água.

Em homenagem a Aristóteles, os naturalistas do século XX criaram o filo dos cnidários para classificar medusas, corais, anémonas-do-mar…Que picam todos.

Quatro séculos mais tarde, Plínio, o Velho observa os movimentos das medusas, que lhe fazem lembrar as contrações e as dilatações da respiração, e chama-lhes Pulmo marina, «o pulmão marinho.»

Esta perceção negativa dificultou a avaliação dos serviços ecossistémicos prestados por estes animais, quando elas desempenham um papel central na biodiversidade marinha ao impedir a monopolização da biomassa por concorrentes extremamente eficazes. Participam nas transferências biogeoquímicas e ecológicas de elementos nutritivos (azoto e carbono principalmente) do oceano superficial para o bentos do oceano profundo.

Quando o ambiente se degrada, algumas medusas fabricam Quistos nos quais os tecidos se desorganizam e depois, quando as condições ambientais melhoram, os quistos abrem-se e, no espaço de um dia, reencontram-se estas medusas que regeneraram as suas células e consegue assim passar ao estádio de medusa, tornando-a potencialmente imortal (apenas biologicamente)

As medusas utilizam sinais luminosos, isso é importante para a sua sobrevivência. Podem servir-lhes para atrair as suas presas, para afastar um predador, para fazer sinal a um parceiro ou para lançar um alerta. Mas os cientistas procuram ainda compreender como é que as medusas utilizam as suas misteriosas «luzes».

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