A Arte Celeste

As auroras boreais (ou antes auroras polares) consistem num fenómeno astronómico que se manifesta sob a forma de véus luminosos no céu, geralmente nos polos. São observáveis à noite, sob um céu escuro, o que justifica sem dúvida o carácter mítico que durante muito tempo lhes foi atribuído, inspirando, entre outras, numerosas lendas indígenas. As auroras polares fascinam o imaginário, e o ser humano tenta explicar o fenómeno já desde há alguns séculos. Alguns povos indígenas nórdicos, entre os quais os Inuit, atribuíam-lhes um valor espiritual ou ainda consideravam-nas uma revelação para os caçadores. Acreditou-se também, até há 70 anos, que se tratava do reflexo do Sol sobre os gelos do Ártico e da Antártida, mas essa hipótese revelou-se falsa. Na verdade, as auroras polares são a expressão de numerosas colisões de partículas carregadas provenientes do vento solar e das da alta atmosfera terrestre, sob a influência do campo magnético terrestre (hipótese um pouco mais banal, mas sobretudo mais complexa).
Antes de mais, para resumir, o vento solar consiste num fluxo de partículas provenientes do plasma que compõe a coroa solar. O vento solar provém, portanto, da camada mais externa do Sol, mas, mais precisamente, da alta atmosfera solar. Este fluxo é composto por gás ionizado (com uma carga elétrica), uma vez que se trata de um plasma. Assim, o vento solar é essencialmente constituído por partículas carregadas como os protões e os eletrões. A presença destas partículas deve-se à temperatura muito elevada da coroa solar, que pode ultrapassar os 1 000 000 K. Quando as moléculas de hidrogénio e de hélio que compõem o Sol se encontram nesta camada, sofrem um aquecimento intenso que provoca a ionização das moléculas, o que lhes dá uma carga elétrica. Além disso, a subida da temperatura durante a passagem das moléculas da cromosfera para a coroa solar induz um aumento da velocidade de agitação das partículas, a tal ponto que estas podem escapar à atração solar (mesmo princípio que a gravidade, mas aplicado ao Sol). O vento solar designa, portanto, esse fluxo de partículas que escapam do Sol. Em períodos de atividade solar intensa, a quantidade de partículas ejetadas pelo Sol vê-se aumentada.
O fenómeno não deixa de ser espetacular, os caçadores de auroras boreais têm o privilégio de ver esta maravilhosa mensagem do ponto de encontro dos elementos da terra e do cosmos.